Sou
uma mulher independente, frágil e às vezes idiota. Tenho poucos amigos
apesar de ser muito simpática. Sou medrosa, indecisa e possessiva quando numa
relação.
Meu
carácter sempre intimidou os rapazes, pois sou dotada de ordens e algumas vezes
arrogante. Mas tudo em mim mudou quando conheci um empresário milionário,
autoritário e ninfomaníaco.
Foi
numa tarde de Novembro, na rua de Saint-Jacques (Paris), na margem do Rio Sena
quando vi um relógio de prata, com fivelas pretas, cravejado de diamante, o
então chamado Mônaco V4 - Tag Haeur. Passou-me pela cabeça que alguém
procurava por aquele relógio, pois é impossível encontrar um dos relógios mais
prestigiados do mundo na rua, abandonado. Mas por alguma razão, o meu olhar
permaneceu fixo, sóbrio e curioso. Dei dois passos para frente, aproveitando o
silêncio da rua, baixei sentada nos meus calcanhares e fixei o meu olhar para o
relógio, enquanto a minha mente questionava-se:
-
Que louco é este que se esqueceu de um tesouro nas ruas de Saint-Jacques, um
lugar turístico...?
A
minha linha de pensamento foi quebrada quando, à minha trás, passaram dois
homens vestidos de preto e branco (o habitual fato dos seguranças) aos saltos e
gritos. A rua ficou agitada e todo mundo foi ordenado a parar estático.
Rapidamente, pus o relógio na minha pasta, levantei com tamanha elegância,
refiz a minha postura e pus-me a andar. Meu perfume doce confundiu os
seguranças e fui tomada como uma mulher rica, incapaz de roubar.
Cheguei
à casa e fui directo à cama. Pensativa, a insónia tomou conta de mim.
-
É doloroso fechar os olhos e tentar dormir com o pensamento completamente
acordado porque fixei-me na idealização do rosto do dono do grande tesouro que
descansa na minha pasta. Será que ele é alto? Negro ou branco? Simpático ou
arrogante? Médico, empresário ou engenheiro? Adoro médicos, por razões
absurdas, médicos são o meu tipo - perguntei-me.
O
sol nasceu. Levantei da cama, tomei um banho com aromas de chocolate e saí para
o trabalho. Deslumbrante e sedutora, desviei a minha rota e dirigi-me para um
joalheiro porque quando era mais pequena, os meus pais diziam-me que gente
milionária é obcecada por unicidade, isto é, elas tendem, de qualquer jeito,
identificarem-se nos seus pertences e foi esta lembrança que levou-me ao
joalheiro mais famoso da cidade.
O
meu coração palpitava forte ao entrar para a joalharia, mas atrevi-me e entrei.
O joalheiro pareceu hipnotizado ao olhar para o relógio e suspirou Grey.
-
Grey? Quem é o Grey? - perguntei-lhe .
-
Grey (um dos accionistas da Moët-Hennessy • Louis Vuitton) é um
empresário obcecado por relógios. Ele é observador e às vezes possessivo. Ele
também é muito calmo. Com 35 anos, ele nunca teve uma relação séria apesar de
já ter saído com uma das suas secretárias.
Implorei
ao joalheiro o seu silencio e honestidade, pois estava perto de saciar a minha
curiosade.
-
Que homem é esse tão possessivo, tão dono do seu nariz, sem medo, ousado e
atrevido? - perguntei-me, enquanto caminhava de volta para a casa.
Sem
êxito, lá se passou mais um dia sem o ter conhecido.
-
Todo amante de relógios não aceita perder nenhuma peça da sua colecção - dizia
o meu pensamento, tentando manter-me optimista do possível interesse dele por
mim.
Levantei
cedo e peguei um táxi para a Moët-Hennessy • Louis Vuitton. Vesti
um corpete afinado na cintura, uma jeans azul-escura, um salto alto stiletto
e uma carteira Burberry.
Charmosa,
eu me fiz entrar na empresa e pedi o endereço do escritório do Grey na
recepção. Preferi usar as escadas, de modo que me preparasse e esfria-se os
meus nervos. Já em frente à sua porta, pensei em desistir, recuei de volta para
as escadas mas a incerteza do amanha me fez voltar ao escritório do Grey. Bati
à porta devagarinho e ele gritou com arrogância:
-
Que língua devo eu falar para que vocês entendam que eu detesto quando a
recepção manda pessoas para o meu escritório sem a minha permissão?
Irritado,
ele abriu a porta, observou-me dos pés à cabeça, e pediu-me para entrar...
Sou
a Ana Ferraz, tenho 32 anos, trabalho como assistente de moda na Burberry
Company. Descobri nele um homem atraente, brilhante e profundamente
dominador. Ingênua e inocente, eu me surpreendo ao perceber que, a despeito da
enigmática reserva de Grey, estou desesperadamente atraída por ele. Incapaz de
resistir à minha beleza discreta, à minha timidez e ao meu espírito
independente, Grey admite que também me deseja - mas em seus próprios termos.

Esta é parte de uma trilogia.
Inspirada no livro "Cinquenta tons de cinza" escrito pela E L James

Waw. Por instantes viajei com a personagem. Gostei muito do texto, ja li 50 tons de cinza, o livro não me encantou tanto como pensei que fosse mas enfim.. Belo texto. Parabéns e espero ler mais.
ResponderEliminarObrigada Rosa. Obrigada pelo teu apoio. Eu e as minhas esperamos sempre encantar aqueles que lêem as nossas obras.
EliminarUm beijo grande e sempre que puderes, dá uma vista de olhos aqui no blog.
:)