sábado, 13 de outubro de 2012

Tons de Cinza




Sou uma mulher independente, frágil e às vezes idiota. Tenho poucos amigos apesar de ser muito simpática. Sou medrosa, indecisa e possessiva quando numa relação.
Meu carácter sempre intimidou os rapazes, pois sou dotada de ordens e algumas vezes arrogante. Mas tudo em mim mudou quando conheci um empresário milionário, autoritário e ninfomaníaco.
Foi numa tarde de Novembro, na rua de Saint-Jacques (Paris), na margem do Rio Sena quando vi um relógio de prata, com fivelas pretas, cravejado de diamante, o então chamado Mônaco V4 - Tag Haeur. Passou-me pela cabeça que alguém procurava por aquele relógio, pois é impossível encontrar um dos relógios mais prestigiados do mundo na rua, abandonado. Mas por alguma razão, o meu olhar permaneceu fixo, sóbrio e curioso. Dei dois passos para frente, aproveitando o silêncio da rua, baixei sentada nos meus calcanhares e fixei o meu olhar para o relógio, enquanto a minha mente questionava-se: 
- Que louco é este que se esqueceu de um tesouro nas ruas de Saint-Jacques, um lugar turístico...? 
A minha linha de pensamento foi quebrada quando, à minha trás, passaram dois homens vestidos de preto e branco (o habitual fato dos seguranças) aos saltos e gritos. A rua ficou agitada e todo mundo foi ordenado a parar estático. Rapidamente, pus o relógio na minha pasta, levantei com tamanha elegância, refiz a minha postura e pus-me a andar. Meu perfume doce confundiu os seguranças e fui tomada como uma mulher rica, incapaz de roubar.
Cheguei à casa e fui directo à cama. Pensativa, a insónia tomou conta de mim. 
- É doloroso fechar os olhos e tentar dormir com o pensamento completamente acordado porque fixei-me na idealização do rosto do dono do grande tesouro que descansa na minha pasta. Será que ele é alto? Negro ou branco? Simpático ou arrogante? Médico, empresário ou engenheiro? Adoro médicos, por razões absurdas, médicos são o meu tipo - perguntei-me.
O sol nasceu. Levantei da cama, tomei um banho com aromas de chocolate e saí para o trabalho. Deslumbrante e sedutora, desviei a minha rota e dirigi-me para um joalheiro porque quando era mais pequena, os meus pais diziam-me que gente milionária é obcecada por unicidade, isto é, elas tendem, de qualquer jeito, identificarem-se nos seus pertences e foi esta lembrança que levou-me ao joalheiro mais famoso da cidade. 
O meu coração palpitava forte ao entrar para a joalharia, mas atrevi-me e entrei. O joalheiro pareceu hipnotizado ao olhar para o relógio e suspirou Grey.   
- Grey? Quem é o Grey? - perguntei-lhe . 
- Grey (um dos accionistas da  Moët-Hennessy • Louis Vuitton) é um empresário obcecado por relógios. Ele é observador e às vezes possessivo. Ele também é muito calmo. Com 35 anos, ele nunca teve uma relação séria apesar de já ter saído com uma das suas secretárias. 
Implorei ao joalheiro o seu silencio e honestidade, pois estava perto de saciar a minha curiosade. 
- Que homem é esse tão possessivo, tão dono do seu nariz, sem medo, ousado e atrevido? - perguntei-me, enquanto caminhava de volta para a casa.
Sem êxito, lá se passou mais um dia sem o ter conhecido. 
- Todo amante de relógios não aceita perder nenhuma peça da sua colecção - dizia o meu pensamento, tentando manter-me optimista do possível interesse dele por mim.
Levantei cedo e peguei um táxi para  a Moët-Hennessy • Louis Vuitton. Vesti um corpete afinado na cintura, uma jeans azul-escura, um salto alto stiletto e uma carteira Burberry
Charmosa, eu me fiz entrar na empresa e pedi o endereço do escritório do Grey na recepção. Preferi usar as escadas, de modo que me preparasse e esfria-se os meus nervos. Já em frente à sua porta, pensei em desistir, recuei de volta para as escadas mas a incerteza do amanha me fez voltar ao escritório do Grey. Bati à porta devagarinho e ele gritou com arrogância:
- Que língua devo eu falar para que vocês entendam que eu detesto quando a recepção manda pessoas para o meu escritório sem a minha permissão?
Irritado, ele abriu a porta, observou-me dos pés à cabeça, e pediu-me para entrar...

Sou a Ana Ferraz, tenho 32 anos, trabalho como assistente de moda na Burberry Company. Descobri nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, eu me surpreendo ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, estou desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à minha beleza discreta, à minha timidez e ao meu espírito independente, Grey admite que também me deseja - mas em seus próprios termos.




Esta é parte de uma trilogia.
Inspirada no livro "Cinquenta tons de cinza"  escrito pela E L James

2 comentários:

  1. Waw. Por instantes viajei com a personagem. Gostei muito do texto, ja li 50 tons de cinza, o livro não me encantou tanto como pensei que fosse mas enfim.. Belo texto. Parabéns e espero ler mais.

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    1. Obrigada Rosa. Obrigada pelo teu apoio. Eu e as minhas esperamos sempre encantar aqueles que lêem as nossas obras.
      Um beijo grande e sempre que puderes, dá uma vista de olhos aqui no blog.
      :)

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