Está na hora de comprar mais um romance do Nicholas Sparks. Tenho que reorganizar o meu guarda-roupa. Como é que vou me livrar de toda aquela carne? É isso que dá namorar carnívoras insaciáveis! Depois tudo acaba assim…
- Aindei algum tempo a pensar nisso e…acho que somos demasiado incompatíveis e isso está a afetar a nossa relação. A verdade é que para mim já afetou o suficiente e não dá mais. Foi tudo muito bom, mas ficamos por aqui. Ficamos amigos? E se fossemos tomar algo amanhã?
E por isso se foi a número doze! Incombatibilidade. Novidade no meu histórico. E aqui já houve de (quase) tudo: desgaste uma vez, traição duas vezes, distância uma vez, ciúme uma vez, opção sexual uma vez, sabotagem uma vez, loucura uma vez…e por aí adiante. Mas incombatibilidade é a primeira vez.
Já não sei onde procurar a rapariga perfeita. Já conheci mulheres em todos os lugares. Bares, restaurantes, exposições, faculdade, festas, trabalho, supermercado, avião e até no jardim zoológico eu já conheci uma namorada minha. Agora ex-namorada. Ainda lembro-me dela. Foi a número sete. Uma rapariga encantadora e super extrovertida. Daquelas que chega na festa do seu amigo que ela não conhece de praia nenhuma e de repente se responsabiliza por todo divertimento. Inventava os encontros mais esquisitos e os planos mais disparatados. Que pena que ela teve que se mudar para o Bangladesh.
As vezes penso na número dois. Lembro-me dos planos que fiz com a Gabriela na ingenuidade dos nossos dezassete anos. Mas eu já não sou assim tão jovem. Achava que aos 37 anos já estaria casado e com uns três filhos. Mas como se costuma dizer “O homem faz planos e Deus ri-se”. A frase preferida da número quatro. Uma vegetariana louca que no meio das discussões fazia sessões de yoga e meditação para nos acalmar. Eu devia ter desconfiado quando ela organizou um motim na faculdade porque descobriu que a única refeição vegetariana disponível era uma lasanha que ela detestava. Mesmo nunca tendo provado.
Consegui o que quis. Casa própria, carro próprio, emprego agradável e estável. Só falta a minha metade da laranja. Já ando meio cansado dessa busca. Depois da número oito, os fins de relacionamentos nem me derrubam mais, só abalam. Instalei uma rotina quando a Mariana me deixou. Assim que termina um já sei o que fazer. Durante um mês, me enfio em casa com um romance de Nicholas Sparks, fico vegetariano e só visto cores frias. Os meus amigos dizem que pareço uma mulher a recuperar de um desgosto amoroso. A minha mãe diz que der por onde der, tenho que lhe dar um neto antes de chegar aos 40 anos. E a minha irmã acha que passar o fim-de-semana com a família dela ajuda.
Eu sei que não sou o princípe encantado de mulher nenhuma. E também sei que nenhuma princesa está a minha espera. Mas será que é pedir muito que uma mulher queira ficar comigo para sempre? Acho que não. Por isso, e só por isso, eu não vou desistir agora. Vou tentar mais uma vez. Se calhar o número do azar alheio é o número da minha sorte!
Por: Yolanda Marixe





