domingo, 24 de fevereiro de 2013

Fazer malas



Sempre odiei fazer malas. Desde pequena. Talvez as sucessivas mudanças por causa do trabalho do pai tenham a culpa. Talvez seja porque não só tinha de fazer a minha como as das minhas irmãs também. Talvez seja porque fica tudo junto e eu tenho essa mania de separar toda a roupa por cores. Ou talvez seja só da preguiça. Sim, deve ser isso. Enfim, seja lá pelo que for, não gosto de fazer malas. E cá estou eu mais uma vez, a desempenhar essa amável tarefa.
Dessa vez a culpa é inteiramente da minha teimosia. Sim, porque todo o mundo me avisou. A minha consciência foi a primeira, embora a minha mãe reclame esse lugar. Mas o idiota do coração meteu-se a frente e fez o que ele mais gosta: confusão.
Primeiro fez a boa confusão. Aquela que nos faz sorrir sem motivo aparente. Aquela que nos causa borboletas no estômago. Aquela que nos faz ter saudades mesmo quando estamos juntos. E eu, ingénua como sempre, deixei-me levar. Achei que não fosse acabar. Seria eterno. Mas o eterno, para quem não sabe, não existe! E então começou a confusão má. A que nos deixa chateados com tudo e todos. A que nos impede de dar uma boa gargalhada. A que nos torna amargos e desconfiados. E quando damos por nós, estamos a fazer coisas de que não gostamos. Estamos a fazer as malas.

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